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    O objetivo do blog é analisar a conjuntura política na capital e no interior de Alagoas.

A Casa de Tavares Bastos ainda insiste em não respeitar as leis, diz Rodrigo Cunha

O Blog Politicando realizou, nesta sexta-feira (3), uma entrevista exclusiva com o deputado estadual Rodrigo Cunha (PSBD), onde foram abordados diversos assuntos, principalmente sobre o cenário político alagoano, as eleições para a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, que aconteceu na última quarta-feira (1º), onde os deputados elegeram Luiz Dantas (PMBD) para os próximos dois anos, e a candidatura do tucano para concorrer ao comando da Casa de Tavares Bastos. O arapiraquense teve apenas um voto e não teve tempo suficiente para defender a sua candidatura.

Blog Politicando - Por que o senhor resolveu votar em você mesmo, na eleição para a mesa diretora?

Rodrigo Cunha - Estou na Assembleia Legislativa há dois anos, como disse ao ocupar a tribuna durante a eleição para Mesa, talvez eu não seja um parlamentar experiente, mas me considero plenamente capaz de identificar os principais gargalos e falhas do nosso Poder Legislativo estadual. As falhas que levam a esse Poder ser tão desacreditado pelo povo alagoano. E assim o fiz, lancei minha candidatura e busquei apresentar minhas propostas aos demais deputados. Infelizmente, os conchavos já estavam sacramentados e a preocupação definitivamente não era a mesma da minha.

BP - O senhor é um político jovem com ideias libertárias. Este não seria o futuro do Brasil, com o atual cenário de crise política em que o país se encontra com as prisões da Lava Jato?

RC - A crise nacional que estamos enfrentando demonstrou que o modelo de estado adotado possui sérios limites e vem também se mostrando como um ótimo momento para uma abertura no espaço político para ideias antes divergentes. Acredito que os ânimos se acalmaram e o espaço para a construção, com novas escolhas, de maneira ponderada e responsável, de um país mais maduro é possível.

BP - Como o senhor avalia o poder de Renan Calheiros que manteve um sucessor no Senado Federal e que não teve o mesmo sucesso nas eleições municipais de Alagoas?

RC - Para mim, essa discrepância mostra o distanciamento entre realidades. O Senado e a população brasileira parecem viver duas diferentes dimensões.

BP - Qual a sua avaliação sobre a presidência da Mesa Diretora?

Como a visão de política é a mesma, algumas das antigas práticas se mantêm. Em algumas situações age como casa de passagem das vontades do Executivo, chegando as tentativas absurdas de incluir em pauta projetos complexos do governo no mesmo dia que chegaram à Casa de Tavares Bastos. Além disso, a falta de transparência permanece. Não adiantou uma decisão judicial determinando cumprir a legislação. A Casa das Leis ainda insiste em não as respeitar. Mas seria leviano afirmar que não houveram alguns pequenos avanços, mas nada próximo do ideal.

BP - Qual o balanço que o senhor faz sobre o governo de Renan Filho?

RC- Passou-se dois anos de mandato e o discurso que mais ouço é de que Alagoas mantém-se saudável financeiramente diante da crise nacional, ao contrário de outros estados. Enquanto nosso fisco, de maneira proporcional aos demais estados, é o “menos pior”, os índices que realmente importam continuam a ser os piores do país e muitas vezes um dos piores internacionalmente. Aumentou-se IPVA, aumentou ICMS, foram vistas arrecadações tributárias surpreendentes. Houve a repatriação, o alívio no pagamento da dívida pública. Assim, com dinheiro sobrando em caixa por esforço do contribuinte alagoano, não é muito complicado manter o salário dos servidores em dia. Enquanto isso, a nossa taxa de mortalidade infantil que há anos vinha diminuindo começou a aumentar, nosso IDH continua um dos piores, o número de homicídios em 2016 voltou a crescer, fala-se em milhões para constituir hospitais, mas há uma total incapacidade de manter os que já existem. Sinto que falta uma preocupação efetiva com o desenvolvimento de políticas públicas que tragam com soluções que promovam efetivamente desenvolvimento ao Estado de Alagoas, não somente que pareçam quase convincentes na próxima propaganda eleitoral.

BP - Como o senhor avalia o cenário político em Alagoas, já pensando nas eleições de 2018?

RC - O cenário político brasileiro, não só o alagoano, vem se alterando. Uma boa demonstração dessa mudança foram os resultados das últimas eleições municipais. Acredito que a resposta nas eleições de 2018 serão ainda mais contundentes que as de 2016. O povo está despertando.

BP - A eleição para governador já começou?

RC- Infelizmente, sim. E a quantidade de propagandas governamentais que nada acrescentam e somente exaltam pequenas práticas incapazes de efetivamente alterar a realidade do povo alagoano demonstra isso. Isso me faz questionar o atual papel da comunicação institucional. Qual seria a relevância de dia, tarde e noite passar uma muito bem produzida propaganda sobre a construção de escadas em grotas? Sinto que milhões são gastos para tentar convencer que a realidade alagoana é digna de propaganda de manteiga. O povo alagoano sabe da realidade que passa diariamente, sente na pele, não precisa que ninguém ocupe seu tempo tentando lhe convencer do contrário. Certo seria investir em propagandas educativas, incentivadoras de práticas cidadãs, um bom gasto das verbas de comunicação.

BP - O senhor vai tentar a reeleição para a casa de Tavares Bastos? Ou o senhor pretende lançar candidatura para deputado federal?

Acredito que ainda seja muito cedo para esse tipo de definição. No momento, estou concentrado no meu mandato e em fazer um bom trabalho na Assembleia Legislativa de Alagoas para continuar merecendo a confiança do alagoano no cargo que eu venha a disputar.

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